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Artigo Técnico |
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26 de Abril de 2002 Paradigma do Atraso por Alexsandro Rebello Bonatto* Com a falência do modelo Estado do bem-estar social em meados dos anos 80, chegou-se a um consenso de que o principal motor de partida na economia deveria ser o investimento privado. A diferença social entre construir ou não uma nova fábrica é o contingente de desempregados que poderiam nela estar trabalhando, e por que não, consumindo os bens desta mesma fábrica. Sendo assim, para que se mantenha a engrenagem da geração de valor funcionando, é necessário que o fluxo de investimento seja constante. Mas
o que leva o capitalista a investir? Qual o mecanismo que leva os agentes
superavitários a depositar seu dinheiro na expansão de uma fábrica ou
simplesmente na inovação de algum empresário schumpeteriano? A decisão de investir está diretamente ligada às oportunidades de retorno vislumbradas pelo capitalista, ou seja, os recursos só serão direcionados para negócios que possibilitem o retorno esperado pelo investidor. E este retorno tem que ser, pelo menos, superior ao capital originalmente investido, ou a premissa do custo de oportunidade não estaria sendo seguida. Em Keynes, por exemplo, o investimento só será realizado quando o empresário está tomado por um sentimento especial, o "animal spirit", um estado de ânimo que o faz acreditar na potencialidade do negócio. O problema é que existe um desajuste temporal no investimento, já que o desencaixe inicial é no curto prazo e os lucros se darão no médio ou no longo prazo. Dessa forma o capitalista tem que tomar sua decisão vis-à-vis a previsões sobre o futuro, baseando seu raciocínio em informações imperfeitas sobre ele. Outro componente ainda mais obscuro da equação proposta é o consumidor, e qual será sua resposta ao produto ou serviço que será oferecido. Haverá ou não demanda? E se houver será suficiente para gerar o retorno esperado? Desta forma, o capital disponível só será revertido para a produção e para o desenvolvimento, se e somente se, o ambiente externo se mostre favorável. É necessário que se crie uma expectativa otimista quanto ao futuro da economia como um todo. Sem
dúvida nenhuma, este sentimento de otimismo é puramente subjetivo e
pessoal, baseado na leitura do mercado por cada agente individual. Sob a ótica exposta acima, a decisão de investir está na verdade intimamente ligada as condições oferecidas para que este investimento se mostre viável e atrativo. Sendo
assim, cria-se o que chamamos de paradigma do atraso: a economia só
cresce se houver investimento, e o capitalista só investirá se esta
mesma economia crescer. Para que seja rompido este paradigma, é necessário que sejam fornecidos sinais suficientes aos investidores que a economia em questão já fez a sua "lição de casa", se transformando em um ambiente favorável a realização dos negócios.
Alexsandro
Rebello Bonatto* é economista e analista de balanço de instituição
financeira. |
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