Princípios de economia: tradeoffs, custos, incentivos - por Alexsandro R. Bonatto 

Todo aluno de economia deve ter sempre em mente os princípios econômicos e como eles norteiam nossas decisões diariamente.

Este pequeno artigo tratará sobre 3 destes princípios:

1. pessoas enfrentam tradeoffs

2. o custo de alguma coisa é o que você desiste para obtê-la

3. pessoas respondem a incentivos

Para facilitar utilizaremos como recurso pedagógico uma matéria veiculada na Revista VEJA, ed. 2023 de 29 de agosto de 2007: Fácil de entrar, difícil de sair. 

O artigo em pauta tratava dos impactos do bolsa família para os brasileiros que fazem uso dele, bem como da aparente dificuldade dos beneficiários prescindirem dele, ou seja, de melhorarem de vida.

Segundo a matéria um em cada quatro brasileiros vive hoje com a ajuda do Bolsa Família, são 11,1 milhões de famílias, ou 46 milhões de pessoas. 

Apesar da abrangência do programa o artigo alerta que uma vez inscritos no programa, são pouquíssimos os que o deixam. Transformando desta forma o Bolsa Família num meio de vida, e não numa ajuda emergencial e transitória, fazendo até mesmo com que alguns beneficiários prefiram ficar em casa, sacando mensalmente sua parcela do Bolsa Família, ao invés de procurarem um trabalho ou outro meio de obter o sustento. 

Agora, vamos analisar o problema dos beneficiários do Bolsa Família com olhos de economistas. Ora, todo aluno do 1° semestre de Economia sabe que os agentes tomam suas decisões obedecendo às suas preferências pessoais e aos ganhos marginais esperados. Portanto, um beneficiário do programa antes de tomar a decisão de procurar trabalho ou ficar em casa esperando o benefício reflete sobre as seguintes questões:

 no tradeoff trabalho ou lazer qual devo escolher?

 O custo de procurar trabalho compensará a quantidade de horas livres que eu terei de desistir para obtê-lo?

 Devo desconsiderar o incentivo que estou recebendo para ficar em casa aguardando o pagamento do Bolsa Família?

Calma leitor, não se revolte, eu explico.

A primeira das lições que aprendemos na vida é que “não existe almoço grátis (com exceção do Fome Zero, lembram dele?). Na vida para obter uma coisa da qual gostamos, em geral devemos abrir mão de outra. Tomar decisões exige comparar um objetivo com o outro, a isto chamamos de tradeoff. Um dos tradeoffs clássicos que todos enfrentamos é aquele existente entre trabalho e lazer. Quando chegamos à idade adulta a necessidade de procurar trabalho e iniciar uma carreira acaba por diminuir consideravelmente nossas horas de lazer.

Como as pessoas enfrentam tradeoffs, a tomada de decisões exige a comparação dos custos e benefícios dss várias possibilidades que se abrem. Contudo, em muitos casos, o custo de alguma ação não é tão óbvio como poderia parecer. Considere, por exemplo, a decisão de escolher o curso de Economia como formação universitária. O benefício é o enriquecimento intelectual e uma compreensão do mundo sem igual. Contudo, o custo são as horas de estudo que invariavelmente implicam em afastamento dos amigos, família, etc.

Como as pessoas tomam decisões comparando custos e benefícios, seu comportamento pode mudar quando os custos ou benefícios se alteram. Isto é, as pessoas respondem a incentivos. Quando o custo da entrada do cinema aumenta os casais decidem alugar um DVD para assistir em casa. Com o esvaziamento das sessões os donos do cinema optam por fazer promoções nas noites de segunda ou quarta, por exemplo. Pronto, os incentivos mudaram tanto o comportamento do público que vai ao cinema regulamente quanto dos donos dos estabelecimentos.

Portanto, por mais triste e perverso que possa parecer a população que é beneficiada por um programa assistencial como o Bolsa Família tem sérios incentivos para continuar nele, pois não são oferecidas opções mínimas para uma real melhora de suas condições de vida através por exemplo do acesso à uma educação de qualidade ou ofertas de trabalho digno.

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