Vantagens comparativas para corretores de imóveis: Smith e Ricardo ficariam orgulhosos
  - por Alexsandro R. Bonatto 

Matéria interessante na revista VOCÊ SA de agosto: Eu vendo, sim - Profissionais de todas as áreas tornam-se corretores de alto padrão e ganham comissões tentadoras. 

A matéria conta a história de profissionais que atuam como corretores ou brokers, como preferem ser chamados, que ficam encarregados pela venda de imóveis caríssimos, um mercado que movimentou 3,9 bilhões de dólares em 2006 no país e deve faturar 4,3 bilhões de dólares este ano.

Estes brokers são pessoas que não vieram do mundo imobiliário, mas que são ou estão acostumados com a alta sociedade, no mercado, eles também atendem por nomes como “corretores pessoais”,“private brokers”, ou “consultores em imóveis”.
A matéria ainda apresenta os casos de corretoras como Judice & Araujo, a única representante, no Rio de Janeiro, da Christie’s Great Estates, empresa que, por meio de brokers, arrecada todos os anos 100 bilhões de dólares no mundo.
Com 130 000 corretores registrados pelo Conselho Federal de Corretores de Imóveis (Cofeci) em todo o Brasil, os corretores private se diferenciam pela capacidade de lidar, em pé de igualdade, com os clientes. Muitas vezes, o perfil do vendedor se assemelha ao do comprador o que facilita na indicação do imóvel mais adequado.

Além do private broker somos apresentados também ao buyer broker. Comum na Inglaterra, mas desconhecido por aqui, esse profissional faz uma visita prévia a todos os imóveis disponíveis na cidade que atendem ao perfil do cliente (em geral, 50 a 80 endereços). Só depois dessa pré-avaliação é que o cliente vai visitar os pré-selecionados (três ou quatro opções). Se não fechar negócio até o segundo dia de visitas, não precisa nem pagar a corretagem.

Como sempre, vamos pensar sobre estas informações como economistas. O que está acontecendo, o mercado de venda de imóveis está simplesmente criando mais uma “frescura” para apresentar e cobrar dos endinheirados? Ou está aplicando um dos princípios econômicos mais famosos – a vantagem comparativa?

Sem medo de errar eu escolheria a segunda opção.

O princípio das vantagens comparativas apresentado por Adam Smith em 1776, no livro An Inquiry into the Causes of the Welth of Nations e que foi desenvolvido por David Ricardo em seu livro Principles of Political Economy and Taxation de 1817, geralmente é utilizado para explicar os ganhos de comércio entre dois países.

Vamos imaginar um país chamado Batatolândia (especialista na produção de batatas) e seu vizinho o Tomatistão (especialista em, bem você já imaginou). Estes dois países são extremamente produtivos em suas especialidade, mas poderiam diversificar passando a produzir internamente os dois produtos: batata e tomate. Contudo, os ganhos seriam maiores se eles continuassem atuando como especialistas e comerciando apenas os produtos em que têm vantagens naturais.

Agora vamos voltar ao mercado de corretagem de imóveis de luxo. Imagine que eu economista (portanto, só entendo de economia), quero comprar uma cobertura com vista para o mar na cidade do Rio de Janeiro. Meu custo de oportunidade em procurar coberturas à venda nos classificados de imóveis, anotar os que me interessam, visitar 5 ou 6 imóveis é o tempo em que eu poderia continuar produzindo meus papers. DE fato, eu não sou especialista no mercado de coberturas cariocas, portanto, certamente a compra de uma cobertura consumiria uma parte considerável do meu tempo disponível.

O que devo fazer para resolver meu problema? 

O mais racional seria aplicar a teoria das vantagens comparativas e contratar um especialista que tenha um custo de oportunidade menor que o meu para encontrar uma cobertura que se encaixe nos meus desejos e orçamento.

No caso do buyer broker, é a especialização da especialização, ou seja, o possível comprador não precisa nem verificar todos os imóveis apresentados pelo private broker. Ele só visitará os que o seu buyer broker indicar.

Como vemos a economia está presente em lugares que nem se imagina.

Alexsandro Rebello Bonatto.

Porto Alegre, 12 de setembro de 2007.

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